quarta-feira, 22 de novembro de 2017

SOBRE ESCRAVIDÃO NA LÍBIA

Uma Mensagem para nossos Irmãos e Irmãs
na África e na Diáspora

"Esta carta é dirigida aos nossos irmãos, dirigentes e habitantes dos países da África subsaariana, que são caracterizados pela pele escura.

Houve muitas reações e declarações de líderes, políticos, organizações e instituições africanos após uma investigação publicada pelo canal CNN relatando que existem mercados para a venda de africanos de pele escura na Líbia.

Ninguém parou para questionar a validade dessa reportagem, e onde é o mercado? Quando isso aconteceu? Onde estão os alegados escravos?

Ninguém perguntou como a emissora chegou ao suposto mercado, e como foi possível filmar o 'leilão'? Qual é o propósito do canal americano para transmitir um programa como esse que distorce a imagem de um povo inteiro e o acusa de cometer um crime hediondo, inaceitável para uma mente razoável e contrário a toda lógica?

Podemos encontrar explicações e motivos, para uma emissora dos EUA com propósitos escusos de fomentar a desunião e instigar sedições.

Como resposta às vozes e forças que vêem nisso uma oportunidade de falsificar os fatos e de minimizar as conquistas do povo da Líbia lado a lado com seus irmãos e irmãs africanos nos tempos de ouro da Revolução al-Fateh, cabe esclarecer alguns pontos:

1. A Líbia, como vocês sabem, foi seqüestrada desde o outono de 2011, e seus recursos estão sendo controladas por gangues criminosas que foram habilitadas pela máquina de guerra ocidental da OTAN, depois de destruir os fundamentos do estado.

2. A Líbia era o escritório dos movimentos de libertação, que treinou, armou e equipou milhares de jovens nas regiões do sul da África, da Rodésia, da África do Sul, da Namíbia, de Moçambique, da Zâmbia e de Angola, o que lhes permitiu retornar com plena capacidade militar, com conselheiros líbios para lutar nas batalhas pela libertação.

3. A Líbia ofereceu apoio total à luta de Amílcar Cabral na Guiné Bissau e em Cabo Verde, e enviou oficiais líbios como voluntários para lutar ao lado dele, alguns dos quais ainda são testemunhas vivas entre nós.

4. A Líbia deu apoio absoluto aos regimes revolucionários e progressistas nos países africanos a buscar a libertação do imperialismo e do neocolonialismo no Congo, Gana, Burkina Faso, Chade e outros.

5. A Líbia sozinha resistiu ao processo de Barcelona, ​​que tinha como objetivo a separação dos povos de pele clara no norte do Continente, ligando-os ao Mediterrâneo na chamada 'Organização do Mediterrâneo', e criou o CEN-SAD em resposta ao processo de Barcelona, para provar a unidade do continente africano.

6. A Líbia batalhou pela unificação do Continente e pela afirmação de sua liberdade, identidade e dignidade, impulsionando a criação da União Africana.

7. A Líbia abraçou os movimentos de oposição política africana, apoiando seus programas e encaminhando muitos de seus líderes ao poder.

8. A Líbia representou a luta pela paz, desenvolvimento e construção, ainda em curso. Convocou dezenas de encontros, organizou dezenas de iniciativas de mediação e reconciliação. Também investiu enormes somas em importantes projetos de desenvolvimento na maioria dos países do Continente.

Podemos continuar com mais detalhes, mas queremos dizer-lhes e ao Mundo que seus irmãos e irmãs líbios não podem aceitar se desassociar de seu continente, não importa o quanto tentem os inimigos da África."

Dr. Salem Zubeidy

Movimento dos Comités Revolucionários da Líbia

Publicado por INTERNATIONALIST 360 ° em 21 de novembro de 2017

https://libya360.wordpress.com/2017/11/21/libyan-revolutionary-committees-movement-a-message-to-our-brothers-and-sisters-in-africa-and-the-diaspora/

https://libya360.files.wordpress.com/2017/01/screenshot-www-youtube-com-2016-11-06-16-43-03.png?w=1000
Tribos do Sul da Líbia em manifestação em apoio a Saif Al Islam Kadafi, janeiro de 2017


https://i1.wp.com/www.aljazeera.com/mritems/Images/2011/8/26/2011826192417932734_8.jpg
Muammar Kadafi, Fórum dos Reis da África


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Mulheres valentes da Líbia



Tuaregues da Líbia

https://libya360.files.wordpress.com/2013/12/mandela-gaddafi.jpg?w=1000
Kadafi e Mandela


https://africafeeds.com/wp-content/uploads/2017/08/mugabe-and-gaddafi.jpg
Kadafi e Mugabe



quarta-feira, 8 de novembro de 2017

COMEMORANDO O CENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO



Abby Martin entrevista Brian Becker, ativista de longa data dos Estados Unidos, e co-autor do livro "Assaltando os Portões: Como a Revolução Russa Mudou o Mundo" ("Storming the Gates: How the Russian Revolution Changed the World").



sexta-feira, 20 de outubro de 2017

SEIS ANOS DEPOIS


"No sexto aniversário do brutal assassinato de Muamar Kadafi, expressamos nossa grande tristeza e dor pelo povo da Líbia e da África. Este homem,  Muamar Al-Kadafi, um visionário que se importava muito com o seu país e com o seu povo, era tanto uma ameaça para a Nova Ordem Mundial sionista, que eles não só o assassinaram brutalmente (e seu filho Mutassim), mas também destruíram sua linda Líbia.

A Líbia era um exemplo de como a riqueza de um país pode ser compartilhada pelo Povo, e não podia ser tolerada. Ainda pior do que isso, esses banqueiros sionistas criminosos não tinham controle sobre a Líbia, pois o país não tinha dívidas e não fazia parte do FMI ou do Banco Mundial.

Kadafi entendeu o jogo sujo da 'moeda fiat' [dinheiro sem lastro] e iniciou a criação do Banco Africano, operando com uma moeda de ouro para a África. Essa iniciativa teria destruído os 'banqueiros-fiat'.

A destruição da Líbia, o roubo de todas as suas reservas, a invasão por mercenários islamistas radicais (250 mil) e a morte de cerca de 1 milhão de líbios inocentes foram e são considerados pelos sionistas da Nova Ordem Mundial como 'danos colaterais aceitáveis'.

Quanto ao resto do mundo, despertar para o mal que controla este mundo não é uma opção. Acorde ou seja destruído."

http://libyanwarthetruth.com/moammar-al-ghadafi-great-leader-libya-and-africa-assassinated-6-years-ago-today






Parlamento britânico reconhece que a intervenção na Líbia
foi mera agressão

"Relatório do Parlamento britânico mostra que a guerra da OTAN na Líbia baseou-se em uma série de mentiras:

'Líbia: o exame da intervenção e o colapso e as futuras opções políticas do Reino Unido', uma investigação do Comitê de Relações Exteriores bipartidário da Câmara dos Comuns, condena fortemente o papel do Reino Unido na guerra, que derrubou o governo do líder da Líbia, Muamar Kadafi e mergulhou o país norte-africano no caos.

'Não vimos nenhuma evidência de que o governo do Reino Unido tenha realizado uma análise adequada da natureza da rebelião na Líbia', afirma o relatório. 'A estratégia do Reino Unido foi fundada em pressupostos errôneos e uma compreensão incompleta das evidências'.

O inquérito da Líbia, iniciado em julho de 2015, é baseado em mais de um ano de pesquisas e entrevistas com políticos, acadêmicos, jornalistas e muito mais. O relatório, divulgado em 14 de setembro, revela o seguinte:

Kadafi não estava planejando massacrar civis. Este mito foi exacerbado pelos rebeldes e pelos governos ocidentais.

A ameaça dos extremistas islâmicos, que teve grande influência na revolta, foi ignorada - e o bombardeio da OTAN tornou ainda pior a ameaça, dando ISIS uma base no norte da África.

A França, que iniciou a intervenção militar, foi motivada por interesses econômicos e políticos, não humanitários. [em diversas passagens o relatório procura amplificar a culpa da França e relativizar a do Reino Unido]

A rebelião - que foi violenta, não pacífica - provavelmente não teria sido bem sucedida se não fosse pela intervenção e ajuda militar estrangeira [ou melhor, não teria havido rebelião sem interferência estrangeira]. Os meios de comunicação estrangeiros, particularmente a Al Jazeera do Qatar e a Al Arabiya da Arábia Saudita, também espalharam rumores infundados sobre o governo da Líbia e Kadafi [que os meios ocidentais divulgaram, juntamente com suas próprias invenções].

O bombardeio da OTAN mergulhou a Líbia em um desastre humanitário, matando milhares de pessoas e deslocando centenas de milhares mais, transformando a Líbia do país africano com o mais alto padrão de vida em um estado fracassado devastado pela guerra.

O Mito de que Kadafi iria massacrar civis

'Apesar de sua retórica, a proposição de que Muamar Kadafi teria ordenado o massacre de civis em Bengazi não foi apoiada pela evidência disponível', afirma claramente a Comissão dos Negócios Estrangeiros... 'Em suma, a escala da ameaça para os civis foi apresentada com certeza injustificada'.

O resumo do relatório também assinala que figuras políticas de oposição exiladas como Soliman Bouchuiguir, presidente da Liga da Líbia para os Direitos Humanos, com sede na Europa, alegaram que, se Kadafi retomasse a cidade: 'Haverá um verdadeiro banho de sangue, um massacre como vimos em Ruanda'.

O relatório do Parlamento britânico, no entanto, observa que o governo líbio havia retomado as cidades dos rebeldes no início de fevereiro de 2011, antes que a OTAN lançasse sua campanha de ataque aéreo, e as forças de Kadafi não atacaram civis. Kadafi fez um discurso acalorado que ameaçava os rebeldes que haviam conquistado as cidades. Ele disse que 'eles são poucos' e 'alguns terroristas', e os chamou de 'ratos' que 'estão transformando a Líbia nos emirados de Zawahiri e bin Laden', referenciando os líderes da Al Qaeda. No final de seu discurso, Kadafi prometeu 'limpar a Líbia, centímetro por centímetro, casa por casa, beco por beco', desses rebeldes. Muitos meios de comunicação ocidentais, no entanto, implicaram ou relataram que sua observação era uma ameaça para todos os manifestantes. William Hague, que serviu como o secretário de Estado britânico para assuntos do exterior e da Commonwealth durante a guerra na Líbia, afirmou à comissão que o governo de Kadafi prometeu 'ir de casa em casa, beco por beco, exigindo sua vingança contra o povo de Bengazi'. Ele acrescentou: 'Muitas pessoas morreriam'.

George Joffé, estudioso da Universidade King's College de Londres e especialista no Oriente Médio e Norte da África, disse à Comissão dos Negócios Estrangeiros que, enquanto Kadafi às vezes usava uma retórica intimidante, exemplos anteriores mostram que o líder libio sempre foi 'muito cuidadoso' em evitar vítimas civis.

Em um caso, Joffé observou: 'em vez de tentar remover as ameaças ao regime no leste, na Cirenaica, Kadafi passou seis meses tentando pacificar as tribos que estavam localizadas lá'.

Kadafi 'teria tido muito cuidado na resposta real', disse Joffé no relatório. 'O medo do massacre de civis foi muito exagerado'.

Alison Pargeter, pesquisadora sênior do Royal United Services Institute e especialista em Líbia, que também foi entrevistada para a investigação, concorda com Joffé. Ela disse ao comitê que não havia 'evidência real de que naquela época, Kadafi estava se preparando para lançar um massacre contra seus próprios civis.' Pargeter acrescentou que os libios que se opunham ao governo exageraram o uso de 'mercenários' de Kadafi - um termo que costumavam usar como sinônimo para os líbios da descendência subsaariana. Pargeter disse que 'Na verdade os negros foram violentamente oprimidos pelos rebeldes líbios. A Associated Press informou em setembro de 2011: 'Forças rebeldes e civis armados estão reunindo milhares de negros líbios e migrantes da África subsaariana'. 'Praticamente todos os detidos dizem que são trabalhadores migrantes inocentes'. (Os crimes dos rebeldes contra os líbios negros passariam a piorar ainda. Em 2012 o Human Rights Watch informou que os rebeldes líbios realizaram 'deslocamentos forçados de aproximadamente 40 mil pessoas, detenções arbitrárias, e a tortura e os assassinatos são generalizados, sistemáticos e suficientemente organizados para constituírem crimes contra a humanidade'.) 

Hillary Clinton, que desempenhou um papel de liderança no empurrar para o bombardeio da OTAN da Líbia, afirmou que Kadafi faria 'coisas terríveis' se não fosse parado. De março a outubro de 2011, a OTAN realizou uma campanha de bombardeio contra as forças do governo da Líbia. Afirmou estar perseguindo uma missão humanitária para proteger civis. Em outubro, Kadafi foi brutalmente morto - sodomizado com uma baioneta por rebeldes. (Ao ouvir a notícia de sua morte, a secretária Clinton anunciou, ao vivo na TV, 'Viemos, vimos, ele morreu!')

O relatório do Comitê de Relações Exteriores ressalta, no entanto, que, enquanto a intervenção da OTAN foi vendida como uma missão de ajuda humanitária, seu objetivo ostensivo foi realizado em apenas um dia. Em 20 de março de 2011, as forças de Kadafi recuaram aproximadamente 40 milhas para fora de Bengazi, depois que aviões franceses atacaram. 'Se o principal objetivo da intervenção da coalizão fosse a necessidade urgente de proteger civis em Bengazi, esse objetivo foi alcançado em menos de 24 horas', diz o relatório. No entanto, a intervenção militar prosseguiu por vários meses. O relatório explica que 'a intervenção limitada para proteger civis havia se tornado uma política oportunista de mudança de regime'.

Esta visão foi desafiada, no entanto, por Micah Zenko, um membro sênior do Conselho de Relações Exteriores. Zenko usou os próprios materiais da OTAN para mostrar que 'a intervenção da Líbia era sobre mudanças de regime desde o início'. Na sua investigação, a Comissão dos Assuntos Externos cita um relatório de Anistia Internacional de junho de 2011, que observou que 'a cobertura da mídia ocidental desde o início apresentou uma visão muito unilateral da lógica dos eventos, retratando o movimento de protesto como totalmente pacífico e sugerindo repetidamente que as forças de segurança do regime massacraram inexplicavelmente manifestantes desarmados que não apresentavam nenhum desafio à segurança'.

A Anistia Internacional também não conseguiu encontrar provas da acusação de que o governo da Líbia deu Viagra às suas tropas e as encorajou a violar mulheres em áreas dos rebeldes. Então, a secretária de estado Clinton, entre outros, contribuiu para este mito não provado.

... Hoje, a Líbia é o lar da maior base do grupo extremista genocida ISIS fora do Iraque e da Síria. Outros grupos islamistas apropriaram grandes territórios depois que o governo líbio foi destruído. 'Agora está claro que as milícias islamistas desempenharam um papel crítico na rebelião a partir de fevereiro de 2011', afirma claramente a Comissão dos Negócios Estrangeiros."

Naturalmente, o relatório não diz tudo. Por exemplo, não reconhece os grupos islamistas como agentes do Ocidente. Mas pode vir a ser um passo importante para estabelecer a culpabilidade dos governos que agrediram a Líbia.



"Líbia 2017: A ascensão de Saif al Islam"


https://www.youtube.com/channel/UCLs05UqJXI1c1s0eW79umIg



Tunísia: encerrada pelo Parlamento de Tobruk
a reunião da ONU para controlar a Líbia

http://libyanwarthetruth.com/un-meeting-tunisia-control-libya-shut-down-hor - 17/10/2017

"A ONU, totalmente culpada da destruição ilegal da Líbia em 2011, continua a tentar impor seu controle sobre o povo líbio. O governo das marionetes das Nações Unidas, formado fora da Líbia sem a aprovação ou votação do povo da Líbia em 2015 e obrigado a entrar furtivamente em Trípoli no escuro da noite, não tem nenhum apoio na Líbia. O Governo de Acordo Nacional (GNA) de Sarraj sabe que o povo da Líbia está cansado de ser controlado pelos fantoches da Nova Ordem Mundial e não agüenta mais. O Exército Nacional da Líbia agora controla 95% do país e está prestes a tomar Trípoli, e segue eliminando as milícias terroristas, radicais e fantoches ocidentais sionistas.

Com o fim de sua posição na Líbia à vista, e com as Grandes Tribos da Líbia unidas sob a bandeira verde da Jamahiriya trabalhando para expulsar do país esses traidores e invasores; a ONU decidiu convocar uma reunião. A reunião foi na Tunísia e contou com a presença de líderes do governo legalmente 'eleito' de Tobruk (a Câmara dos Representantes, HOR[*]) e do seu próprio governo fantoche de Trípoli (GNA). A reunião foi convocada supostamente para discutir a unificação do país e uma eleição que instauraria um governo recém-formado, apoiado e eleito pelo povo. Claro, na realidade a ONU estava na reunião para manter sua posição e ditar as futuras atividades do governo na Líbia. O resultado foi que a reunião foi encerrada hoje pela HOR de Tobruk. Tendo lidado com os jogos sujos dos sionistas da Nova Ordem Mundial nos últimos 7 anos, os líbios não serão enganados ou forçados a permitir que os marionetes sionistas sigam controlando e roubando seu país por mais tempo.

Não há trabalho com os sionistas, a única opção é limpar o país dos usurpadores e acabar com eles. Os criminosos banqueiros imperialistas sionistas não têm interesse pelo povo da Líbia, apenas pelas suas terras e seus recursos. Assim, por que qualquer líbio confiaria ou trabalharia com a ONU? A ONU e a OTAN são as duas organizações criminosas que ilegalmente bombardearam o seu país à extinção, deixaram milhares de terroristas criminosos no terreno, prenderam, torturaram e mataram milhares de libios, roubaram todo o dinheiro dos bancos, roubaram as casas e os carros das pessoas, estupraram e abusaram de mulheres e crianças, destruíram fontes de água e energia, etc., etc.

A ONU está vivendo em algum tipo de universo alternativo se acha que o povo da Líbia a ouvirá ou participará de qualquer iniciativa em prol da sua Nova Ordem Mundial."

Joanne Moriarty 

[*] Obs.: o Parlamento Líbio, ou Casa dos Representantes (HOR - House of Representatives) foi legalmente eleito no sentido de que a eleição seguiu as leis vigentes. Porém não foi legitimamente eleito, porque essas leis não foram deliberadas pelo Povo Líbio, mas pelo governo fantoche anterior. Nessa eleição, porém, as milícias ligadas à Fraternidade Muçulmana, até então no poder, perderam todos os cargos, e resolveram retomá-los à força, em uma guerra que durou um ano e destruiu parte de Trípoli. O Parlamento refugiou-se em Tobruk. A ONU, que tanto se empenhara em legitimar a eleição, passou a apoiar os islamistas, e em seguida criou um novo governo (GNA, Governo de Acordo Nacional), supostamente de coalizão dos dois supostos governos. Porém a única entidade realmente representativa do Povo Líbio é o Conselho das Tribos, que apóia taticamente o Parlamento de Tobruk e o remanescente do Exército Líbio, comandado pelo general traidor Kalifa Haftar, que se opõem em certa medida aos islamistas.



Manifestantes em Bani Walid se reúnem na noite de sábado pedindo a Saif al-Islam Kadafi para liderar o país. - 24/06/2017






EUA 16 anos depois: um pesquisador do governo americano fala sobre os atentados de 11/9/2001 (leg. em diversas línguas)



http://thesaker.is/stand-for-the-truth-a-government-researcher-speaks-out-911-evidence-and-nist/



Síria

EUA criticam Assad por "dificultar" seus esforços anti-ISIS


19 de outubro de 2017 

"O exército árabe sírio (SAA) e o Estado Islãmico (ISIS) ainda estão lutando pela cidade de Al-Qaryatayn, na província de Homs. Em 18 de outubro, o SAA retomou a estação ferroviária a norte da cidade. Em 17 de outubro, a ISIS afirmou que 20 membros da SAA foram mortos em confrontos nas adjacências.

De acordo com fontes locais, o SAA ainda não iniciou uma ofensiva direta na cidade porque o ISIS usa civis locais como escudos humanos.

Na província de Deir Ezzor, o SAA avançou ao norte da capital provincial, na margem oriental do Eufrates. De acordo com fontes pró-governamentais, todas as aldeias agora estão sob controle das tropas do governo. No entanto, esses relatórios ainda precisam ser confirmados por fotos ou vídeos.

Em 18 de outubro, o Gen Issam Zahreddine da Guarda Republicana foi morto em uma explosão de IED (bomba improvisada) durante a operação contra o ISIS na Ilha Saqr, a nordeste da cidade de Deir Ezzor. Zahreddine foi um dos mais proeminentes generais sírios e um herói da batalha por Deir Ezzor. Ele liderava as tropas governamentais que defendiam a cidade dos terroristas do ISIS nos últimos anos. Sob o seu comando, as tropas locais do governo mantiveram o controle sobre a base aérea militar e uma parte da área urbana até que a força de desbloqueio atingisse a cidade, quebrando o cerco do ISIS em setembro de 2017.

No mesmo dia, a secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee, acusou a aliança sírio-iraniana e russa de prejudicar os esforços da coalizão dirigida pelos EUA contra o ISIS durante a batalha pela cidade de Raqqa.

'Esta grande vitória da coalizão global e dos nossos valentes combatentes teve um alto custo, particularmente para as Forças Democráticas da Síria, que sofreram muitas baixas ao lutarem para libertar seu próprio país da a opressão do ISIS', disse ela, acrescentando que 'Infelizmente, o regime sírio e seus aliados obstruem os esforços para libertar Raqqa. Em vez de se concentrarem na luta contra o ISIS, as forças pró-regime atacaram nossos parceiros e tentaram impedi-los de libertar o povo sírio da brutalidade do ISIS'.

Huckabee também acrescentou que os EUA continuam 'empenhados em apoiar os esforços de estabilização e forças de segurança locais nas áreas liberadas, em prol de uma transição política na Síria'.

Durante a administração Obama, as palavras 'transição política' significavam que os EUA estão tentando derrubar Assad e impor o governo da 'oposição moderada' [acidentalmente ligada à Al-Qaeda] em Damasco. Agora, não está claro o que significa quando a administração Trump usa essas palavras.

Enquanto isso, a mídia da aliança das Forças Democráticas da Síria (SDF) anunciou que o Enviado Especial dos EUA para a coalizão norte-americana, Brett McGurk, afirmou durante uma reunião com o Conselho Civil de Raqqa, vinculado às SDF, que 'o regime sírio nunca terá um ponto de apoio em Raqqa.'

A retórica americana mostra definitivamente que Washington usará as SDF e a área ocupada pelas SDF como ponto de apoio para as suas próprias ações diplomáticas e, no pior cenário, ações militares, no esperado impasse entre os seus aliados e o governo de Damasco, na Síria pós-ISIS."

http://thesaker.is/syria-war-report-october-19-2017-u-s-blames-assad-for-hindering-its-anti-isis-efforts/



sábado, 2 de setembro de 2017

EM TORNO DA VENEZUELA



Grandes exercícios militares ao redor da Venezuela

Os refletores dos meios políticos e da comunicação mediática, concentrados no que acontece dentro da Venezuela, deixam na sombra o que está ocorrendo à volta desse país.

Na geografia do Pentágono, essa é a região do Comando do Sul dos EUA (Southcom), um dos seis “comandos de combate unificados” em que os EUA dividem o mundo. O Southcom, que abrange 31 países e 16 territórios da América Latina e do Caribe, dispõe de forças terrestres, navais, aéreas e de um corpo de ‘marines’, às quais se juntam forças especiais e três task force (forças tarefa) específicas: a Joint Task Force Bravo, localizada na base aérea de Soto Cano, nas Honduras, que organiza exercícios multilaterais e outras operações; a Joint Task Force Guantanamo, localizada nessa base naval, em Cuba, que efectua “operações de detenção e interrogatório no âmbito da guerra contra o terrorismo”; e a Joint Interagency Task Force South, localizada em Key West, na Flórida, com a tarefa oficial de coordenar “operações antidrogas” em toda a região.

A crescente atividade do Southcom indica que aquilo que o presidente Trump declarou, no dia 11 de Agosto: -– “Temos muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar” -– não é apenas uma simples ameaça verbal.

- Uma força especial de ‘marines’, equipada com helicópteros de guerra, foi implantada em Junho passado, nas Honduras, para operações regionais com uma duração prevista de seis meses.

- Também na esfera do Southcom, em Trinidad e Tobago, ocorreu em Junho o exercício Tradewinds, com a participação de forças de 20 países das Américas e do Caribe.

- Em Julho, o Exercício Naval Unitas foi realizado no Peru, com a participação de 18 países, e no Paraguai, uma competição/exercício abrangendo forças especiais de 20 países.

- De 25 de Julho a 4 de Agosto, centenas de oficiais de 20 países participaram do Panamax, exercício oficialmente destinado a “defender o Canal do Panamá”.

- De 31 de Julho a 12 de Agosto, decorreu na Joint Base Lewis-McChord (Washington), o Mobility Guardian, que é “o exercício maior e mais objetivo de mobilidade da aviação” com a participação de 3000 homens e 25 parceiros internacionais, em particular com as Forças Aéreas da Colômbia e do Brasil, que se exercitaram em missões diurnas e noturnas juntamente com as Forças Aéreas americana, francesa e britânica.

O "cenário real" é o de uma grande operação aérea, para transportar rapidamente forças e armamentos para uma zona de intervenção. Por outras palavras, é o teste de intervenção militar na Venezuela, como Trump ameaçou. A base principal seria a vizinha Colômbia, ligada à OTAN desde 2013 por um acordo de parceria. “Os militares colombianos -– documenta a OTAN -– frequentaram vários cursos na Academia de Oberammergau (na Alemanha) e no Colégio de Defesa da OTAN, em Roma, participando também em muitas conferências militares de alto nível».

A existência de um plano de intervenção militar na Venezuela está confirmada pelo almirante Kurt Tidd, comandante do Southcom: numa audiência no Senado, em 6 de Abril de 2017, ele declarava que “a crescente crise humanitária na Venezuela poderia exigir uma resposta regional”.

Para realizar a “opção militar”, como Trump ameaçou, poder-se-ia adoptar, embora num contexto diferente, a mesma estratégia implementada na Líbia e na Síria: infiltração de forças especiais e mercenários que jogam gasolina em focos de tensão interna, provocando confrontos armados; acusar o governo de massacrar o seu próprio povo e, na seqüência, a “intervenção humanitária” de uma coligação liderada pelos EUA.

Manlio Dinucci

http://www.voltairenet.org/article197570.html

http://www.voltairenet.org/article197309.html



Dublado em Português com um sotaque esquisito:


http://sakerlatam.es/america-latina-y-el-caribe/manlio-dinucci-a-arte-da-guerra-grandes-manobras-ao-redor-da-venezuela-video/



Opiniões de Alejandro Cao de Benós
sobre a Venezuela, o Brasil e muito mais

Entrevista em Tarragona com Alejandro Cao de Benós, representante da República Popular Democrática da Coréia nas relações com o Ocidente e presidente da Associação da Amizade com a Coréia. (Esp.)



(clique no ícone das legendas)


sábado, 8 de julho de 2017

SÍRIA: ATÉ OS INSPETORES DA ONU...


Publicado em 21 de junho de 2017 (clique no ícone das legendas [Ing])

ATÉ OS INSPETORES DA ONU CONSTATARAM O TRAMBIQUE DA MÍDIA PORCA.

https://www.youtube.com/watch?v=AHOOV9Af8DY





BRASIL

UM PRESENTE PARA OS COXINHAS




quarta-feira, 14 de junho de 2017

ALÍPIO DE FREITAS



Alípio de Freitas - 17/02/1929 - 13/06/2017

Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com a companheira e a filha
Caiu nas garras da CIA

Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil"

"Ao lado dos explorados
No combate à opressão
Nao me importa que me matem
Outros amigos virão"

Lá no sertao nordestino
Terra de tanta pobreza
Com Francisco Julião
Forma as ligas camponesas

Na prisão de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Nao há tortura que o dome

Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo nao falha
Seja aqui ou outra terra

Em Santa Cruz há um monstro
Só não vê quem não tem vista
Deu sete voltas à terra
Chamaram-lhe imperialista

Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil"

Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com a companheira e a filha
Caiu nas garras da CIA

Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil"

(Zeca Afonso)


quinta-feira, 25 de maio de 2017

quarta-feira, 3 de maio de 2017

ENTREVISTA DE ASSAD À TELESUR


Publicado em 27 de abril de 2017

Presidente Bachar Al-Assad, mensagem à América Latina:

"Não acreditem no Ocidente"


Damasco, 28/4/2017, entrevista, vídeo (23") à rede Telesur , Venezuela (Tradução: Vila Vudu)


TeleSur: Obrigado por nos receber, Sr. Presidente.

Presidente Bachar al-Assad: Sejam bem-vindos à Síria, o senhor e o canal TeleSur.

TeleSur: Comecemos pelo mais recente. A Rússia tem advertido que é possível que novos ataques químicos forjados estejam sendo preparados. Como a Síria preparou-se contra isso?

Presidente Bachar al-Assad: Para começar, os terroristas, durante anos e em mais de uma ocasião e em mais de uma região em absolutamente toda a Síria usaram substâncias químicas. Por isso mesmo, pedimos à Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) que enviasse especialistas habilitados para investigar o que acontecia, mas cada vez que pedíamos os EUA impediam as investigações ou impediam que viessem as comissões de investigação. Semana passada, aconteceu novamente: quando exigimos que se fizessem investigações sobre o suposto uso de armas químicas em Jan Sheijun, EUA e aliados impediram que a resolução fosse aprovada na OPAQ.

Nós continuamos insistindo e tentando, com nossos aliados russos e iranianos, que aquela Organização envie uma equipe que investigue o que aconteceu. Porque se essa investigação não acontecer, os EUA repetirão outra vez e outra vez sempre a mesma farsa em torno do uso de armas químicas (como "operação sob falsa bandeira") em algum outro lugar da Síria, para acumular pretextos para intervir militarmente com o objetivo de apoiar o terroristas.

Isso, por um lado. Por outro lado, continuamos lutando contra os terroristas, porque o objetivo por trás do que dizem o Ocidente e os EUA sobre armas químicas é conseguirem meios para dar apoio aos terroristas na Síria. Por causa disso, temos de continuar a combater os mesmos terroristas.

TeleSur: Segundo o Pentágono, seu governo ainda guarda armas químicas. A Síria conserva mesmo cerca de 1% dessas armas, apesar de se ter comprometido, há quatro anos, a entregá-las para serem destruídas?

Presidente Bachar al-Assad: Tanto o senhor como eu lembramos bem quando Colin Powell, em 2003, mostrou na ONU, diante de todo o mundo, um pequeno vidro no qual, segundo ele, estaria a 'prova' de que o presidente Saddam Hussein possuiria químicas, armas nucleares e outras. Quando as forças dos EUA já estavam dentro do Iraque, comprovou-se que os americanos mentiram.

Colin Powell reconheceu depois que a CIA o enganara com provas falsas. Mas não foi o primeiro caso, nem será o último. Quem queira ser político nos EUA tem de ser perfeito mentiroso e embusteiro. Mentir é uma característica dos políticos norte-americanos. Mentem todos os dias. Todos os dias dizem uma coisa e fazem outra. Por essa razão não se deve acreditar no que digam o Pentágono ou outros, porque só dizem o que sirva às políticas deles, não o que há na realidade nem os fatos em campo.

TeleSur: Com que finalidade a Síria interessa-se por comprar da Rússia sistemas antiaéreos de última geração?

Presidente Bachar al-Assad: Basicamente estamos em guerra com Israel. Desde que foi criado em 1948, Israel ataca os países árabes próximos. É normal portanto que tenhamos esses sistemas antimísseis. Os terroristas, como é óbvio, seguindo instruções de Israel, dos EUA, da Turquia, Qatar e Arábia Saudita, destruíram alguns desses sistemas e, portanto, é normal que negociemos com a Rússia para reforçar esses sistemas e poder fazer frente a qualquer ameaça aérea israelense ou enfrentar possíveis ameaças de mísseis dos EUA, muito prováveis agora, depois do recente ataque dos EUA contra o aeródromo de Shuayrat na Síria.

TeleSur: Que papel teve Israel na guerra que a Síria enfrenta? Já sabemos que continuaram os ataques nas últimas semanas contra posições do exército árabe sírio na Síria.

Presidente Bachar al-Assad: Israel desempenha seu papel de diferentes modos: primeiro, como agressão direta, sobretudo com aviação e artilharia ou mísseis lançados contra posições do exército sírio.

Por outro lado, Israel apoia os terroristas, de dois modos: primeiro, fornece armas; segundo, dá-lhes apoio logístico, ao permitir que organizem manobras atravessando regiões que Israel controla e garantindo-lhes ajuda médica em hospitais de Israel.

Não se trata aqui de especular. O que lhe digo são fatos comprovados, filmados, fotografados e divulgados na internet, que o senhor pode obter facilmente e que provam o apoio que Israel garante aos terroristas na Síria.

TeleSur: Como o senhor definiria a atual política exterior de Donald Trump no mundo e especialmente na Síria?

Presidente Bachar al-Assad: Não existem políticas de um ou de outro presidente dos EUA. O que há são políticas das instituições dos EUA que governam o sistema, a saber, a CIA, o Pentágono, as grandes corporações, as empresas que fabricam armas, as petroleiras e as grandes instituições financeiras, além de alguns lobbies que influem nas decisões dos EUA.

O presidente dos EUA apenas implementa essas políticas, e a prova está aí: quando Trump tentou tomar rumo diferente durante sua campanha eleitoral e já como presidente, nada pôde fazer. A ofensiva contra ele foi forte demais e, como vimos nas últimas semanas, ele já mudou completamente a linguagem e submeteu-se ao Estado Profundo. Por isso, tentar avaliar o presidente dos EUA no que tenha a ver com política exterior seria perda de tempo e meio irreal, porque se pode dizer qualquer coisa, mas ele só fará o que aquelas instituições e organizações ordenarem. Essa é a política que se mantém nos EUA há décadas e aí não há qualquer novidade.

TeleSur: Donald Trump tem agora outra frente aberta na Coreia do Norte. Isso poderia influir no modo como os EUA veem a Síria atualmente?

Presidente Bachar al-Assad: Não. Os EUA tentam sempre controlar todos os países do mundo sem exceção, não aceita aliados, sejam países desenvolvidos avançados de seu próprio bloco ocidental ou outros quaisquer. Todos os países teriam a obrigação de ser estados satélites dos EUA. Por isso, o que acontece com a Síria, o que acontece com a Coreia do Norte, com Irã, com a Rússia e possivelmente com a Venezuela agora, tem por objetivo restabelecer a hegemonia dos EUA sobre o Mundo, porque os EUA creem que sua hegemonia estaria hoje ameaçada, e que isso ameaçaria os interesses das elites econômicas e políticas nos EUA.

TeleSur: Está claro o papel da Rússia neste conflito, mas que papel teve a China, a outra grande potência internacional?

Presidente Bachar al-Assad: No que tenha a ver com Rússia e China, há grande cooperação em matéria de ação política, ou de postura política.

Há convergência nos pontos de vista e há cooperação no Conselho de Segurança da ONU. Como o senhor já sabe, os EUA tentaram várias vezes, junto com seus aliados, utilizar o Conselho de Segurança para legitimar o papel dos terroristas na Síria e para legitimar uma intervenção na Síria. A intervenção é ilegítima e constitui agressão. Por isso, China e Rússia estão unidas nessa questão, e o papel da China foi essencial, ao lado da Rússia, nessa questão.

Por outro lado, uma parte dos terroristas são de nacionalidade chinesa, chegados à Síria pela Turquia e representam ameaça aqui, para nós, sírios, mas também são ameaça para China, e os chineses estão conscientes de que o terrorismo em qualquer lugar do mundo desloca-se para outros lugares. Aqueles terroristas, sejam chineses ou de outras nacionalidades, podem deslocar-se para a China e atacar ali, como acaba de acontecer na Europa, na Rússia e como acontece na Síria. Mantemos atualmente cooperação com a China sobre assuntos de segurança.

TeleSur: Atualmente os meios de comunicação ocidentais e dos EUA, falam de terroristas moderados e de terroristas extremistas. Há mesmo alguma diferença desse tipo?

Presidente Bachar al-Assad: Para eles, terrorista moderado é o terrorista que mata, degola e assassina sem mostrar a bandeira da al-Qaeda e sem gritar "Alahu akbar". E terrorista é quem mostra a bandeira ou, enquanto degola, grita "Alahu akbar", essa é a diferença. Para os EUA, qualquer um que sirva à sua agenda política contra qualquer outro país, mesmo que pratique as piores práticas de terrorismo é "opositor", não terrorista; e "moderado", não "extremista", "combatente da liberdade", não um criminoso que luta para destruir e sabotar.

TeleSur: Seis anos de guerra. Como está a Síria? Sabemos que o custo humano é incalculável.

Presidente Bachar al-Assad: O que mais dói em qualquer guerra são as perdas humanas, o sofrimento das famílias que perdem um pai, um filho, um marido, essas famílias foram afetadas para sempre. Os sírios cultivamos laços familiares fortes e estreitos. Não há dor maior que a de perder um ente querido.

Quanto às demais perdas, claro está, as perdas econômicas são colossais, a infraestrutura erguida ao longo de 50 anos ou mais com mão de obra síria. Na Síria a infraestrutura não foi construída com mão de obra estrangeira, e temos as capacidades necessárias para reconstruí-la.

Igualmente, no plano econômico, o que temos é fruto do trabalho de sírios, porque há muito tempo não temos relações importantes no plano econômico com o Ocidente.

Quando essa guerra chegar ao fim, tudo será reconstruído, não há problemas quanto a isso. Claro que exigirá tempo, mas não é impossível.

As perdas humanas, sim, são as perdas realmente dolorosas, essa a grande dor dos sírios hoje.

TeleSur: Dos 86 países da coalizão que ataca a Síria, alguns talvez participem da construção?

Presidente Bachar al-Assad: Não. Com certeza não. Em primeiro lugar, porque não querem que a Síria seja reconstruída. Mas não há dúvidas de que algumas empresas nos países que nos atacam, se virem que as coisas começam a andar, quero dizer, que a economia volta a andar e a reconstrução recomeça, como oportunistas que são, só interessados no dinheiro, estarão prontos a tentar vir à Síria para participar dos lucros da reconstrução, sem dúvida.

O povo sírio não aceitará. Nenhum país que tenha atacado o povo sírio e que tenha contribuído para devastar, destruir a Síria participará da reconstrução. Isso está decidido.

TeleSur: Como tem sido a vida ao longo desses 6 anos, nessa nação assediada?

Presidente Bachar al-Assad: Claro que a vida é dura. Todos os sírios formos afetados. Os terroristas destruíram a infraestrutura, em algumas áreas só há eletricidade durante 1 ou 2 horas e em outras absolutamente não há eletricidade. Há zonas sem eletricidade há dois, três anos, sem televisão, sem escolas para as crianças, sem clínicas nem hospitais, os doentes estão sem atendimento. Vivem na pré-história, por culpa dos terroristas. Há áreas sem água há anos, como aconteceu em Alepo… durante longos anos não houve água na cidade de Alepo. Em vários momentos beberam água sem purificação, cozinharam com água sem purificar. A vida foi tremendamente difícil.

TeleSur: Um dos alvos principais durante esses anos, foi o senhor, presidente Bachar al-Assad. Sentiu medo?

Presidente Bachar al-Assad: Quando se está em guerra, não se sente medo. Acho que é o que responderiam todos por aqui. Mas há a preocupação com o destino da pátria. O que significaria a segurança pessoal, como cidadão, num país agredido e ameaçado? Ninguém estará jamais seguro enquanto persistir a ameaça contra a Síria.

Penso que o que sentimos de modo geral na Síria é preocupação pelo futuro da Síria mais que medo por nós mesmos. Os tiros e projéteis de morteiro caem em qualquer lugar, entram em qualquer casa. Nem por isso a vida parou na Síria. Há uma vontade de vida, muito mais forte que algum medo no sentido pessoal. Esse sentir, para mim, pessoalmente, como Presidente, advém do que o povo sente, não de mim mesmo. Não vivo isolado.

TeleSur: Os meios de comunicação ocidentais em todo o mundo distribuem muita propaganda contra o senhor. Será que estou sentado realmente diante daquele demônio que os jornais pintam?

Presidente Bachar al-Assad: Tem razão. Para o Ocidente, o senhor está entrevistando o próprio demônio. É a propaganda ocidental atual.

Essa publicidade ocidental sempre aparece quando algum país, algum governo ou algum governante não se submete aos interesses do Ocidente, se não trabalha exclusivamente a favor dos interesses ocidentais e contra os interesses de seu próprio povo. Sempre foi assim. São as exigências ocidentais colonialistas que sempre se repetiram ao longo da história.

Dizem que quem resiste a eles é mau, que mata gente boa. Ora... a Rússia, o Irã, todos os países nossos amigos nos apoiam não porque um ou outro governante nos apoie, mas porque o povo daqueles países está mais perto da verdade que o ocidente. E os sírios também apoiam nosso governo. Como é possível que os sírios apoiem seu governo, se o governo os estivesse mantando?

É só mais uma versão contraditória que só sobrevive na propaganda do ocidente. Por isso já não perdemos tempo com essas versões ocidentais que sempre, ao longo da história estiveram cheias de mentiras. Nisso não há novidade alguma.

TeleSur: O que a Síria faria para pôr fim a essa guerra, se estamos às portas da 6ª rodada de conversações em Genebra?

Presidente Bachar al-Assad: Temos falado de dois eixos.

O primeiro eixo consiste em lutar contra o terrorismo. Isso não se discute e não temos opção no trato com terroristas que não seja lutar contra eles.

O outro eixo é a parte política, que consiste em dois pontos: primeiro, o diálogo com todas as forças políticas sobre o futuro da Síria; o segundo consiste nas reconciliações locais, no sentido de que negociamos com os terroristas em cada vila ou cidade, tratando as questões caso a caso.

O objetivo da reconciliação é que eles deponham as armas e recebam um indulto do Estado, para assim retomarem o curso normal de suas vidas. Este eixo, esse tipo de negociação está sendo feito já há 3 ou 4 anos, obteve bons resultados e prossegue atualmente.

São os temas que podemos trabalhar com o objetivo de resolver a crise na Síria.

TeleSur: Daqui de onde estão, nesse país em guerra, como os senhores veem a situação na América Latina, particularmente na Venezuela, onde começaram a aparecer ações muito semelhantes às que fizeram crescer e eclodir o conflito na Síria?

Presidente Bachar al-Assad: É esperável que haja semelhantes, dado que o plano é o mesmo, e o executor é o mesmo: os EUA dirigem a orquestra, todos os demais países ocidentais e o coro que os acompanham.

A América do Sul em geral e Venezuela em particular, foram quintal de despejo dos EUA durante décadas, quintal de onde os países ocidentais e principalmente os EUA, arrancavam o que quisessem, o que seus interesses econômicos mandassem, com a ação das grandes empresas norte-americanas transnacionais em cada um dos seus países. E os golpes de estado sucederam-se durante os anos 1960 e 1970, fossem golpes militares ou políticos, todos visavam a consolidar o controle dos EUA sobre os interesses dos povos da América Latina.

Mas ao longo dos últimos 20 anos, a América Latina livrou-se desse jugo e alcançou a autodeterminação, seus governos afinal começaram a poder defender os interesses do próprio povo. E, isso, os EUA absolutamente não aceitam. Por isso, agora se aproveitam do que está acontecendo pelo Mundo, desde a revolução cor-de-laranja na Ucrânia até o último golpe ocorrido nesse país há vários anos. Aproveitam-se do que ocorre nos países árabes, na Líbia, na Síria, no Iêmen e em outros países, com o propósito de aplicar as mesmas 'técnicas' nos países latino-americanos. Começaram pela Venezuela, com o objetivo de derrubar o governo nacional legal. Farão o mesmo aos demais países da América Latina.

TeleSur: Há quem pense, especialmente os cidadãos comuns em toda a América Latina, que um cenário similar ao que se vê hoje na Síria poderia repetir-se na América Latina. Qual sua opinião?

Presidente Bachar al-Assad: Não tenho dúvidas disso. Já lhe disse que se o plano é o mesmo e o executor é o mesmo, é normal que o cenário resultante nos demais países atacados não apenas se assemelhe: ele será idêntico. Claro que alguns detalhes locais sempre variarão.

No início, diziam que as manifestações na Síria eram pacíficas, mas ao ver que não se repetiam, ou que se mantinham pacíficas, trataram de infiltrar bandidos nas manifestações, para disparar contra os dois lados, contra a polícia e também contra os manifestantes, especificamente para produzir mortos; e começaram a 'informar' que o governo matava o próprio povo. Esse cenário repete-se em todo o mundo.

E se repetirá também na Venezuela. Por isso o povo venezuelano deve manter-se bem consciente de que há grande diferença entre fazer oposição a um governo ou lutar contra os próprios interesses nacionais do país. Estar contra um governo e estar contra a Pátria são coisas muito diferentes.

Isso, por um lado. Por outro lado, nenhum país estrangeiro pode zelar pelos interesses da Venezuela, mais ou melhor que o povo da Venezuela. Não acreditem no Ocidente. O Ocidente não se interessa por direitos humanos nem pelos interesses dos países. O Ocidente só cuida dos interesses de uma parte da elite governante em outros países. Essa elite governante não é só política, inclui as empresas e seus interesses econômicos.

TeleSur: Falamos da América Latina, Venezuela e da Revolução Bolivariana da qual o senhor foi aliado empenhado. Que recordações o senhor guarda do falecido presidente Hugo Chávez?

Presidente Bachar al-Assad: O Presidente Chávez foi nome importante para todo o mundo. Sempre que falo sobre América Latina recordo imediatamente o presidente Chávez e também o falecido líder revolucionário Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, duas importantes figuras que mudaram o rosto da América Latina.

Conheci, claro, pessoalmente o presidente Chávez, nos reunimos mais de uma vez, tive uma relação pessoal com o presidente Chávez, que nos visitou na Síria, e também o visitei na Venezuela. O presidente Chávez nos visitou duas vezes, eu só pude visitá-lo uma vez.

O presidente Chávez é desses que, quando o vemos pessoalmente já se sabe que é filho do povo, um homem que vive o sofrimento do povo que ele representa. Sempre que falava fazia referência ao povo da Venezuela. Em reuniões de chefes de Estado com funcionários de outros países, o seu primeiro pensamento era o que fazer para construir interesses comuns que viessem a beneficiar os venezuelanos. Um verdadeiro líder, homem de forte carisma e infinitamente sincero.

TeleSur: Chávez foi satanizado, e parece que agora chegou a vez do presidente Nicolás Maduro.

Presidente Bachar al-Assad: É normal, porque o presidente Maduro segue a mesma linha de autonomia nacional; como o presidente Maduro, prossegue na mesma linha nacional e de independência da Venezuela, e trabalhando para os cidadãos de seu país, é normal que seja agora o principal alvo dos EUA. É óbvio e ninguém deve se preocupar com isso.

TeleSur: Como o senhor, presidente Bachar al-Assad, vê o final desta guerra?

Presidente Bachar al-Assad: Se fosse possível superar a questão da interferência estrangeira na Síria, o problema se simplificaria muito. A maioria dos sírios estão cansados da guerra, desejam una solução e desejam voltar a viver com segurança e estabilidade. Há um diálogo entre nós, os sírios, há encontros, as pessoas se reúnem e convivem, quero dizer, não há qualquer barreira real que divida os sírios.

O problema é que cada vez que damos um passo rumo à solução e ao restabelecimento da estabilidade, as gangues terroristas recebem mais dinheiro e mais armas, com o objetivo de retomar a violência e inviabilizar qualquer solução. Por isso se pode dizer que a solução começa por suspender qualquer apoio enviado do exterior aos terroristas. É o primeiro passo.

Por nosso lado, na Síria, a via para restaurar a segurança será a reconciliação entre todos os sírios e indulto para o que aconteceu no passado, durante a guerra. O senhor pode ter certeza de que, quando isso for feito e o processo se completar, a Síria será muito mais forte que a Síria de antes da guerra.

TeleSur: O senhor está disposto a se reconciliar com os que se levantaram em armas contra o povo sírio?

Presidente Bachar al-Assad: Claro que sim. Já aconteceu em várias regiões do país. Das pessoas que já receberam indulto, alguns se incorporaram ao Exército Sírio, alguns caíram como mártires, outros voltaram à cidade onde viviam, em áreas que nós já controlamos. Para nós não há problema algum: a reconciliação é essencial para pôr fim a qualquer guerra. A Síria também caminha nessa direção.

TeleSur: Senhor Presidente, para encerrarmos nossa entrevista, tem alguma mensagem para a América Latina e o mundo?

Presidente Bachar al-Assad: Preservem a independência de seus países.

Nessa parte árabe do mundo, já celebramos a independência de mais de um país. Mas em alguns do países dessa região, a independência significou apenas a retirada de forças de ocupação. A verdadeira independência só acontece quando os povos adquirem o poder de decidir nacionalmente.

Para essa parte do mundo, a América Latina foi modelo de independência, quer dizer, o ocupante partiu, no caso de haver ocupação por tropas estrangeiras, mas ao mesmo tempo os países recuperaram o poder nacional para decidir, a abertura e a democracia. A América Latina deu ao mundo um modelo importante. Conservem esse modelo, defendam-no, porque muitos países que aspiram ao desenvolvimento, sobretudo os países do Terceiro Mundo, devem seguir o modelo já aplicado na América Latina. [Fim da Transcrição]



segunda-feira, 24 de abril de 2017

DEMARCAÇÃO JÁ !!!




Já que depois de mais de cinco séculos
E de ene ciclos de etnogenocídio,
O índio vive, em meio a mil flagelos,
Já tendo sido morto e renascido,
Tal como o povo kadiwéu e o panará
– Demarcação já!
Demarcação já!

Já que diversos povos vêm sendo atacados,
Sem vir a ver a terra demarcada,
A começar pela primeira no Brasil
Que o branco invadiu já na chegada:
A do tupinambá –
Demarcação já!
Demarcação já!

Já que, tal qual as obras da Transamazônica,
Quando os milicos os chamavam de silvícolas,
Hoje um projeto de outras obras faraônicas,
Correndo junto da expansão agrícola,
Induz a um indicídio, vide o povo kaiowá,
Demarcação já!
Demarcação já!

Já que tem bem mais latifúndio em desmesura
Que terra indígena pelo país afora;
E já que o latifúndio é só monocultura,
Mas a T.I. é polifauna e pluriflora,
Ah!,
Demarcação já!
Demarcação já!

E um tratoriza, motosserra, transgeniza,
E o outro endeusa e diviniza a natureza:
O índio a ama por sagrada que ela é,
E o ruralista, pela grana que ela dá;
Hum… Bah!
Demarcação já!
Demarcação já!

Já que por retrospecto só o autóctone
mantém compacta e muito intacta,
E não impacta, e não infecta, e se
Conecta e tem um pacto com a mata
–Sem a qual a água acabará –,
Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que não deixem nem terras indígenas
Nem unidades de conservação
Abertas como chagas cancerígenas
Pelos efeitos da mineração
E de hidrelétricas no ventre da Amazônia, em Rondônia, no Pará…
Demarcação já!
Demarcação já!

Já que “tal qual o negro e o homossexual,
O índio é ‘tudo que não presta'”, como quer
Quem quer tomar-­lhe tudo que lhe resta,
Seu território, herança do ancestral,
E já que o que ele quer é o que é dele já,
Demarcação, “tá”?
Demarcação já!

Pro índio ter a aplicação do Estatuto
Que linde o seu rincão qual um reduto,
E blinde-­o contra o branco mau e bruto
Que lhe roubou aquilo que era seu,
Tal como aconteceu, do pampa ao Amapá,
Demarcação lá!
Demarcação já!

Já que é assim que certos brancos agem:
Chamando-­os de selvagens, se reagem,
E de não índios, se nem fingem reação
À violência e à violação
De seus direitos, de Humaitá ao Jaraguá;
Demarcação já!
Demarcação já!

Pois índio pode ter iPad, freezer, TV, caminhonete, “voadeira”,
Que nem por isso deixa de ser índio
Nem de querer e ter na sua aldeia
Cuia, canoa, cocar, arco, maracá.
Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que o indígena não seja um indigente,
Um alcoólatra, um escravo ou exilado,
Ou acampado à beira duma estrada,
Ou confinado e no final um suicida,
Já velho ou jovem ou – pior – piá.
Demarcação já!
Demarcação já!

Por nós não vermos como natural
A sua morte sociocultural;
Em outros termos, por nos condoermos –
E termos como belo e absoluto
Seu contributo do tupi ao tucupi, do guarani ao guaraná.
Demarcação já!
Demarcação já!

Pois guaranis e makuxis e pataxós
Estão em nós, e somos nós, pois índio é nós;
É quem dentro de nós a gente traz, aliás,
De kaiapós e kaiowás somos xarás,
Xará.
Demarcação já!
Demarcação já!

Pra não perdermos com quem aprender
A comover-­nos ao olhar e ver
As árvores, os pássaros e rios,
A chuva, a rocha, a noite, o sol, a arara
E a flor de maracujá,
Demarcação já!
Demarcação já!

Pelo respeito e pelo direito
À diferença e à diversidade
De cada etnia, cada minoria,
De cada espécie da comunidade
De seres vivos que na Terra ainda há,
Demarcação já!
Demarcação já!

Por um mundo melhor ou, pelo menos,
Algum mundo por vir; por um futuro
Melhor ou, oxalá, algum futuro;
Por eles e por nós, por todo mundo,
Que nessa barca junto todo mundo “tá”,
Demarcação já!
Demarcação já!

Já que depois que o enxame de Ibirapueras
E de Maracanãs de mata for pro chão,
Os yanomami morrerão deveras,
Mas seus xamãs seu povo vingarão,
E sobre a humanidade o céu cairá,
Demarcação já!
Demarcação já!

Já que, por isso, o plano do krenak encerra
Cantar, dançar, pra suspender o céu;
E indígena sem terra é todos sem a Terra,
É toda a civilização ao léu
Ao deus­-dará.
Demarcação já!
Demarcação já!

Sem mais embromação na mesa do Palácio,
Nem mais embaço na gaveta da Justiça,
Nem mais demora nem delonga no processo,
Nem retrocesso nem pendenga no Congresso,
Nem lengalenga, nenhenhém nem blablablá!
Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que nas terras finalmente demarcadas,
Ou autodemarcadas pelos índios,
Nem madeireiros, garimpeiros, fazendeiros,
Mandantes nem capangas nem jagunços,
Milícias nem polícias os afrontem.
Vrá!
Demarcação ontem!
Demarcação já!

E deixa o índio, deixa o índio, deixa os índios lá.


Letra: Carlos Rennó
Música: Chico César
Direção: André Vilela D'Elia
Produção: Cinedelia
Assista também em: cinedelia.com

Artistas:
Ney Matogrosso
Maria Bethânia
Gilberto Gil
Djuena Tikuna
Zeca Pagodinho
Zeca Baleiro
Arnaldo Antunes
Nando Reis
Lenine
Elza Soares
Lirinha - José Paes de Lira
Leticia Sabatella
José Celso Martinez Corrêa
Tetê Espíndola
Edgard Scandurra
Zélia Duncan
Jaques Morelenbaum
Dona Onete
Felipe Cordeiro
Criolo
Marlui Miranda
BaianaSystem
Margareth Menezes
Céu

Com participação de:
Eduardo Viveiros de Castro
André Vallias
Ailton Krenak

sexta-feira, 3 de março de 2017

PALMIRA NOVAMENTE LIBERTADA



"Em 2 de março o Exército Sírio, apoiado pelas Forças Aeroespaciais russas, libertou a antiga cidade de Palmira do ISIS [Estado Islâmico], incluindo o aeroporto de Palmira. Militares sírios examinam a parte histórica de Palmira com o objetivo de desminar a cidade.

As Forças Democráticas Sírias (SDF), apoiadas pelos Estados Unidos, formadas principalmente pelas Unidades de Proteção do Povo do Curdistão (YPG) entregarão ao exército sírio vastas áreas ao oeste da cidade de Manbij, no norte da Síria, de acordo com uma declaração divulgada pelo chamado Conselho Militar. O SDF quer usar as tropas do exército sírio como uma barreira contra os grupos militantes apoiados pela Turquia no norte da Síria e refere que esta decisão foi tomada após conversações com a 'Rússia', com o objetivo de usar as capacidades militares e diplomáticas russas e sírias para se defender da Turquia .

Apenas em agosto de 2016, Talal Silo, porta-voz do SDF, havia afirmado que os EUA eram o único parceiro do SDF e o grupo não iria coordenar os esforços anti-ISIS ou mesmo negociar com qualquer outra parte sem um sinal dos americanos. Parece que a SDF/YPG mudou radicalmente sua atitude em março de 2017, depois que ficou claro que umas poucas fotos de tropas das Forças Especiais dos EUA não foram suficientes para impedir que a Turquia visasse apoderar-se de Manbij e Tell Rifat.

A Turquia vê o YPG como apenas um ramo do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), com o qual a Turquia tem estado em guerra quase continuamente desde 1984. Por sua vez, o PKK pretende estabelecer um estado curdo independente no sul da Turquia. Ainda não há relatórios oficiais sobre as áreas que o exército sírio controlará no campo de Manbij. No entanto, existem duas opções:

1) O exército sírio ocupa as aldeias ao oeste de Manbij. Neste caso, as forças lideradas pela Turquia só poderão atacar Manbij desde Jarabulus se quiserem evitar o confronto com a aliança russo-sírio-iraniana.

2) Ou o exército sírio ocupa as aldeias a oeste e ao norte de Manbij, impedindo possíveis operações militares turcas em ambas as direções.

Em qualquer caso, um problema permanecerá. As forças lideradas por Ancara ainda poderão atacar o YPG/SDF em Tell Rifat. Nos últimos meses, houve negociações entre o governo e o YPG na região, mas as fontes do YPG negam prontamente que qualquer acordo tenha sido alcançado.

Enquanto isso, as Forças Tigres do exército sírio libertaram do ISIS as localidades de Alisah, Um Al-Amad, Barlin, Abu Tawil, Rahmaniya, Qaziqli e alguns pontos próximos na província."

https://southfront.org/syrian-war-report-march-3-2017-us-backed-forces-surrender-wide-areas-near-manbij-to-syrian-army/


O exército sírio move-se livremente através de Palmira após a libertação da cidade do Estado Islâmico - Ruptly TV


Publicado em 3 de março de 2017

"Filmes da sexta-feira [hoje] mostram tropas do Exército Árabe Sírio (SAA) andando pelas ruínas antigas e dirigindo pelas ruas de Palmira, que na quinta-feira foi retomada do auto-proclamado Estado Islâmico (ISIS) pelo exército sírio, apoiado Pela Força Aérea Russa.

Com a cidade completamente limpa de militantes do ISIS, as tropas do governo tomaram colinas estratégicas ao sul da cidade, continuando com sua ofensiva para o leste.

Palmira, um Patrimônio Mundial da UNESCO, foi tomada pelo ISIS em 2015. O governo sírio libertou a cidade dos terroristas do ISIS em março de 2016, mas perdeu-a novamente alguns meses depois. Ao apoderar-se da cidade pela segunda vez, o ISIS destruiu parte do teatro romano e o lendário Tetrapylon."

https://ruptly.tv/live-event/57582






ATUALIZAÇÃO EM 14 DE MARÇO:

OPERAÇÃO ANTI-ISIS NA ÁREA RURAL DE PALMIRA



"O Exército sírio e as Forças de Defesa Nacional (NDF), apoiadas pelas Forças Aeroespaciais russas, retomaram uma central elétrica localizada ao sul da antiga cidade de Palmira, dos terroristas do ISIS. Então o exército e o NDF avançaram mais contra as unidades do ISIS, retomando Jabal al-Amriyah, Sabkhat Muh e os silos de Palmira.

Estes avanços visam formar uma zona de contenção maior em torno de Palmira, que permitiria proteger a área e prevenir contra-ataques do ISIS contra a antiga cidade.

O objetivo de médio prazo das tropas governamentais na área é garantir uma série de campos de gás e petróleo ao longo da rodovia Homs-Palmira e em torno da antiga cidade. Em caso de sucesso, isso permitiria ao governo aliviar a crise de combustível e energia nas áreas sob seu controle.

Enquanto o objetivo estratégico do exército sírio é chegar a Deir Ezzor, o exército sírio pode optar por proteger a estrada Al-Salamiyah-Palmira. Se o triângulo Al-Salamiyah-Homs-Palmira for assegurado pelo exército e seus aliados, o governo assumirá o controle dos campos de gás e petróleo localizados na área e protegerá o flanco sul do grupo militar implantado em Palmira. Este é um passo importante que contribuirá significativamente para o tão esperado avanço sobre Deir Ezzor.

Enquanto isso, as Forças Tigres do exército sírio liberaram Humaymah al-Kabira e Humaymah Saghira na província de Alepo, aumentando ainda mais a pressão sobre as unidades do ISIS em Deir Hafer e na Base Aérea de Jahar.

Os terroristas do grupo Hayat Tahrir al-Sham lançaram um ataque contra as aldeias de Fuah e Kafraya, na província de Idlib.

O Hayat Tahrir al-Sham apoderou-se do monte Umm A'anoun em uma tentativa de cortar a estrada entre duas aldeias. A intensificação das operações de Hayat Tahrir al-Sham contra as forças governamentais na área indicam que o Hayat Tahrir al-Sham e o Ahrar al-Sham resolveram uma grande parte de suas desavenças e fariam uma tentativa de unir-se em batalha contra o governo sírio, apesar de declarações sobre sua adesão ao cessar-fogo."

https://southfront.org/syrian-war-report-march-14-2017-anti-isis-operation-in-palmyra-countryside/



Uma entrevista com Theo Padnos, um jornalista americano que foi mantido em cativeiro por dois anos (2012 - 2014) por terroristas da Frente Al Nusra, também conhecida como Al-Qaeda na Síria.


Publicado em 1 de março de 2017

"Eles estão assassinando pessoas nas ruas, eles estão empregando crianças como torturadores. Eles estão lá destruindo a sociedade.

"... Alguns deles estão interessados ​​em dinheiro, alguns deles estão interessados ​​no poder, alguns deles amam suas armas. Eles estão se divertindo muito com a Jihad (...) Eles têm acesso a essas caminhonetes chiques, têm comida grátis... "Eles estão construindo um verdadeiro arquipélago prisional ali, para os seus prisioneiros, e realmente para qualquer um de quem eles não gostam."

"Um incrível eixo de poder para muitos jovens que não tiveram nada na maior parte de suas vidas - é um cenário perigoso que se está desdobrando lá nas partes do país que o governo não controla."

"- O regime de Assad? Neste momento, há cerca de 16 milhões de pessoas que vivem em segurança. As escolas funcionam, as universidades funcionam, os hospitais funcionam, há polícia de trânsito nas ruas. Ouça, não é a Suíça - não é uma sociedade perfeita - eu acho que eles próprios reconhecem isso. Qualquer um que queira paz na Síria reconhecerá e respeitará a paz que eles têm no momento e não irá degradá-la e danificá-la de jeito algum - o que a administração Obama fez, enviando mísseis e todo tipo de armamento para os 'rebeldes' - o que eu penso que foi uma desgraça porque destruiu tal paz, como havia ".

"Permanece uma situação em que existem enclaves rebeldes e estes enclaves rebeldes não são pacíficos, é claro que não. Eles estão sendo destruídos. Olha, é uma guerra civil. Os enclaves rebeldes - apenas uma minoria da população vive lá, a maioria dos sírios estão vivendo uma paz relativa sob o regime de Assad. Sim, isso é preferível aos bombardeamentos e às crucificações nas ruas que estamos vendo, ao assassinato de cidadãos, à tortura e ao aprisionamento aleatórios, que é o que eles [os terroristas rebeldes] estão fazendo."

http://thesaker.is/between-erdogan-and-eurovision-2017/


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

NASRALLAH AGRADECE A TRUMP



12/2/2017, nos funerais do Xeique Hussein 'Obaid [excerto, trecho final]

"Último ponto: na 5ª-feira [16/2], se Deus nos der vida, falaremos especificamente da situação regional, mas permitam-me agora dizer apenas uma palavra aos que, nas últimas semanas, têm dito e escrito (vi muitas declarações) segundo as quais o Hezbollah estaria inquieto, o Hezbollah estaria intimidado, que o Hezbollah estaria assustado. Do que estavam falando? Sim, precisamente: Trump assumiu o governo. Trump lá está. Sim, mas... e daí? Onde estaria a novidade?

Mais uma vez, como disse Sua Eminência, o Guia Said Khamenei – que Deus prolongue sua nobre vida –, a única coisa que mudou é que, antes, lá estava alguém que cobria o rosto com um véu de hipocrisia [Obama]. Um véu de hipocrisia. Aquele que lhe fala em tom convivial, que lhe deseja Feliz Ano Novo, mas... por trás, o que faz? Impõe-lhe sanções, faz guerra internacional contra você e os seus, golpeia mil vezes, mata milhares de civis, e apoia, oferece meios e implica-se diretamente em guerras como a guerra contra o Iêmen, onde centenas de milhares de pessoas foram mortas, feridas, sitiadas, entregues à fome e a maus tratos.

Aquele que apoia regimes despóticos como no Bahrain, na Arábia Saudita e por toda parte. Aquele que lhes faz todo o mal possível, que criou contra vocês o Daech [Estado Islâmico], para lançar imundície sobre a religião de vocês, o Profeta de vocês, o Alcorão, para que o Daech faça correr o sangue de vocês, capture suas mulheres, destrua a sociedade e o país de vocês. Mas ele fala em voz jovial, e todos contam com que nosso coração arda por ele, porque a pele dele é negra.

A única coisa positiva é que, agora, lá está um homem que pôs de lado a hipocrisia – e por isso Sua Eminência, o Imã Líder [Khamenei] disse que todos devemos agradecer a Trump, porque revelou sem máscaras a verdadeira face do governo norte-americano racista, cruel, criminoso, assassino, sanguinário, que reprime todas as liberdades, que se apodera das riquezas de outros povos, que conspira sem descanso contra povos já oprimidos.

Muito agradecidos! Não estamos incomodados! Estamos reconhecidos pelo que Trump faz. Porque, depois de Trump ter assumido o governo dos EUA, pode-se afinal ver a verdadeira cara do governo dos EUA. Afinal, os povos sempre enganados, cujo discernimento foi obscurecido e distorcido, podem realmente compreender o governo dos EUA.

Quanto ao medo, é coisa que deixamos longe, para trás, que [o Hezbollah] já revolucionamos há muito tempo.

A todos que escrevem, discursam, pensam, analisam, eu lhes falo [em nome] dos cabelos brancos do Xeique Hussein 'Obaid, um dos grandes fundadores do Hezbollah em 1982: estávamos aqui em 1982, e estamos aqui hoje, em 2017.

Em 1982, éramos só um punhado de crentes oprimidos, temerosos do instante em que seríamos capturados por nossos adversários [cf. Alcorão, VIII, 26]. O exército israelense, então invencível, ocupava metade do Líbano. Havia no Líbano 100 mil oficiais e soldados israelenses. 25 mil oficiais e soldados norte-americanos, franceses, britânicos e italianos, todos no Líbano, ao lado dos israelenses.

Tínhamos problemas internos no Líbano, e no mar lá estavam o encouraçado New Jersey e outros... E nós éramos apenas um punhado, nós e os membros de outras facções e partidos da Resistência. E não tínhamos medo. Nem nos sentíamos inquietos.

Não hesitamos. Nossa causa sempre foi clara e certa. Depois? Depois? Depois veio George Bush, com seus exércitos, outra vez, com os encouraçados, para agredir países, empurrando Israel para uma guerra contra nós. Nem por isso ficamos inquietos, ou assustados. E não hesitamos.

Sempre tivemos certeza de que Deus nos garantiria a vitória. Essa vitória que Deus nos prometeu em Seu Livro, e que o Imã Khomeini nos prometeu, ao Xeique Hussein 'Obaid, a Said Abbas, na casa dos irmãos [fundadores do Hezbollah], quando foram ver o Imã, nos primeiros passos da criação do movimento, quando o Imã Khomeini lhes confirmou que a Resistência era a única escolha possível.

E lhes disse também que nunca esperassem ajuda de ninguém, nem dos nossos [o Irã], nem de qualquer outra força desse mundo. Contem só com vocês mesmos. Cumpra, cada um, a tarefa que lhe for atribuída.

E naquele dia, como o atestam os documentos, naquele dia, quando muitos no mundo árabe e islâmico acreditavam que começara para o Líbano uma era israelense, o Imã Khomeini disse às nove pessoas [do Hezbollah] ali presentes, entre os quais Said Abbas al-Musawi (secretário-geral do Hezbollah, antes de Nasrallah) e o Xeique Hussein 'Obaid: 'Se vocês resistirem, vejo a vitória gravada nas suas frontes.'

Essa vitória foi afinal concretizada em 1985 [quando os israelenses foram forçados a se retirar do sul do Líbano]; em 2000, em 2006, e outra vez se concretiza hoje na Síria. E também se concretizará no Iêmen se Deus quiser.

Nem Trump, nem o pai de Trump, nem o avô de Trump, nem George Bush, nem o pai de George Bush, nem o avô, nem qualquer desses racistas terão como fazer frente à coragem, à vontade, à determinação ou à fé dos nossos filhos, muito menos de nossos homens adultos e dos nossos anciãos.

Por isso não estamos de modo algum inquietos. Estamos, isso sim, muito otimistas, porque agora a Casa Branca é ocupada por um imbecil do tipo de imbecil que se envaidece da própria estupidez. E aí está o começo da libertação para os oprimidos do mundo.

Que Deus tenha misericórdia do nosso grande e amado Xeique [Hussein 'Obaid], cuja triste perda choramos hoje, e o acolha em seu vasto Paraíso e o ressuscite com os mártires, e que a Paz de Deus, a misericórdia e as bênçãos de Deus estejam com vocês."

Trad. Vila Vudu